Raposa Serra do Sol, e depois?

Por André Delacerda

Essa é a questão que fica. Não somos contra a demarcação das terras indígenas. Mas que essa demarcação seja feita de forma racional. Pois, muitas questões surgem sobre como será gerida esta reserva de 1,7 milhão de hectares no norte do país, mas precisamente no Estado de Roraima.

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Hoje, quinta-feira, 30 de abril, termina o prazo que o STF – Supremo Tribunal Federal deu para que os arrozeiros e não indígenas que vivem na reserva demarcada sairem do local. O maior plantador de arroz da região, lider dos arrozeiros e ex prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, deve deixar o local amanhã, quando de fato espera receber uma notificação da justiça.

Mesmo sem receber a notificação, o produtor já deslocou toda sua estrutura produtiva para fora da reserva. Inclusive disse a imprensa que deve ir para Guiana, pois já foi convidado a produzir arroz naquele país.

Fora a polêmica da demarcação das terras contínuas, que para muitos expõe ainda mais a vulnerabilidade do país a ganância daqueles que querem extrair de forma ilegal minerais, madeiras e a biodiversidade dos campos e da floresta existente na área demarcada. Outro fato chama atenção. O prometido apoio aos não indígenas para que saiam da reserva ainda parece ser uma interrogação.

Segundo fontes jornalisticas, há funcionários de uma empresa de transporte na sede na Funai em Boa Vista, esperando que a verba prometida pela fundação para realizar o efetivo transporte seja liberada.

Outra questão pertinente que se levanta agora é sobre como os índios vão ter o apoio do Estado – Funai. E como o Estado brasileiro pode proteger de fato as riquezas encontradas na faúna, flora e subsolo da reserva – rico em minerais -, além de guardar a integridade dos povos da floresta na Raposa Terra do Sol.00rits2zf2

Existem hipoteses, e todos sabem que são mais que realidade. Noticiadas pela imprensa nacional e até internacional, confirmam que em algumas reservas há a extração das riquezas com a conivência dos próprios índios. Quilômetros de florestas são destruídas por quem deveria zelar por ela.

Certamente o que se deve buscar na política da Funai para os índios é a implantação de projetos de sustentabilidade, e uma fiscalização mais intensa, apesar de sabermos que muitas reservas tem a extenção maior do que muitos países, e ainda existe uma carência de quantidade de funcionário desta fundação para acompanhar toda esta extensão.

Antes mesmo de se preocuparem somente com a demarcação de terras indígenas, deve-se buscar um debate na sociedade brasileira, de como se garantir de fato a integridade do território brasileiro, e a preservação dos valores, costumes e dos indígenas, que são expostos diariamente ao alcoolismo, a crenças religiosas estrangeiras, a doenças trazidas pelo homem branco, e que sucumbem os silvículas a propria sorte.

É certo que parte da comunidade indígena que vive na Raposa Serra do Sol, já convive com brancos, e com eles trabalham e negociam. Talvez uma retirada brusca assim, não seja uma idéia tão ideal, já que poderia ser implantado projetos de sustentabilidade em parceria com brancos e índios, o que poderia assegurar a geração de riquezas para os povos da floresta e evitaria uma depedração dos recursos naturais por forças ilegais, que certamente tentarão influenciar os índios futuramente.

Fotos: Mapa – Blog Std / índios – Google

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Uma resposta para “Raposa Serra do Sol, e depois?

  1. Agora, a vitória é nossa , raposa serra do sol é dos makuxis. Nós mesmo vamos administra-las como sempe fizemos.

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