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Cobaia do Aquecimento Global

Por André Delacerda

São 05:00 hs da manhã de quinta-feira, dia 8 de abril de 2010, em meio a uma insonia intensificada por uma rinite alérgica, certamente provocada pelas mudanças climáticas bruscas que estamos vivendo nas últimas semanas no Rio de Janeiro.

Nesta madrugada, parei e comecei a conjecturar; se esta cidade, nos últimos tempos não se transformou em uma cobaia do Aquecimento Global.

Muita gente é cética quanto ao aquecimento global, alguns cientístas dizem que não se pode provar que ele vá acontecer. Mas, falam que certamente devem haver mudanças no clima, com secas mais prolongadas, e chuvas intensas.

As mais agressivas do Aquecimento Global certamente se faziam para o final deste século, porém, parece que estas resolveram se atencipar e se materializar neste início de ano (2010). E a cidade do Rio de Janeiro, que tem o título de “Cidade Maravilhosa” virou a cobaia da vez, ou melhor um aviso, um sinal da natureza, dizendo “se vocês não acreditam, não se preparam, as mudanças estão ai”.

Primeiro as coisas começaram com um verão talvez atípico, depois do dia 31 de dezembro de 2009 a cidade começou a ser castigada por temperaturas acima dos 41º C, e sensação térmica batendo a casa dos 50 graus. Tivemos um dia que os especialistas classificaram a temperatura da cidade do Rio de Janeiro como a segunda mais quente do mundo.

No dia 20 de janeiro, comprova-se um evento atípico, em meio a onda de calor. As as imagens de satélite do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec-Inpe) indicavam que a temperatura do mar carioca passava dos 26 graus, cerca de oito graus acima do esperado para este período.

No dia 10 de fevereiro a sensação térmica fez da cidade do Rio de Janeiro o segundo lugar mais quente do mundo, de acordo com a OMM (Organização Meteorológica Mundial), só perdendo apenas para a cidade de Ada, em Gana, na África, que habitualmente tem esse tipo de temperatura. De acordo com o Inmet a onda que calor que atingiu a cidade no último mês de fevereiro foi a maior dos últimos 50 anos.

Pude ver in loco, a noite temperaturas na orla da cidade, batendo a casa dos 34º C à noite, isso às 23:30 hs. A cidade que foi considerada em 2009, “A mais feliz do mundo”, segundo ranking da Forbes, e que tanto ama o sol, as praias, certamente vivenciou esse clima inóspito.

No final do mês de fevereiro, ocorre algo que não acontecia há cerca de 7 anos ou mais, na cidade, a mortandade de peixes volta a acontecer na Lagoa Rodrigo de Freitas. As autoridades, se desencontram nas explicações ao fenômeno. Inicialmente falava-se em somente em 3 toneladas de peixes mortos naquele ecossistema que estava em plena recuperação, mas no passar dos dias, a mortandade chegou a 80 toneladas.

Março passou ainda com fortes temperaturas, o clima ameaçando mudar, chuvas de verão, na verdade tempestades rápidas, mas que já ensaiavam o que poderia acontecer com a cidade, ocorrendo. E no dia 14 de março deste mesmo ano, ocorre uma tempestade, e em menos de 6 horas de chuva, um recorde,  715 reais cairam sobre a cidade do Rio de Janeiro, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).  Um aumento de 157,2% em relação ao mesmo período de 2009.

E chegamos ao mês de abril de 2010, com o que muitos consideram o nosso Katrina, ou, o filme 2012, certamente reduzindo-se as proporções. E quais semelhanças tem-se com estes dois fatos, um real acontecido em Nova Orlenas nos Estados Unidos, e o outro ficção das telas de Hollywood? A resposta é simples: a cidade ficou quase que completamente embaixo da água, a população se viu ilhada. Locais onde jamais se imaginava que alagariam ficaram submersos. Regiões da cidade ficaram isoladas, mais de 6 milhões de pessoas ficaram reféns do clima. No dia 6 de abril, a cidade literalmente parou. Ironia do destino, a Zona Sul que possui a melhor infra-estrutura da cidade inundou; regiões como a Barra da Tijuca, ficaram quase isoladas, pois a maioria dos acessos ao bairro, Av Niemeyer, Estrada Grajaú-Jacarepaguá, Grota Funda tiveram suas vias interrompidas, o Centro da cidade teve algumas de suas importantes vias transformadas em um verdadeiro mar; as escontas de muitos morros cederam. Importantes equipamentos esportivos, como o estádio do Maracanã e o ginásio do Maracananzinho, que serão utilizados na Copa de 2014 e na Olimpiada de 2016, alagaram.

Estamos no dia 8 de abril e cerca de 150 pessoas morreram, segundo os jornais; vítimas do temporal que abateu a zona metropolitana do Rio, principalmente, a capital do Estado. Partes ricas e pobres da cidade foram atingidas, a infra-estrutura local não aguentou a prova do que talvez seja um prenúncio dos próximos anos, com calor excessivo, chuvas fortes e mais intensas ocorrendo em um curto espaço de tempo.

E para finalizar,  este evento climático que colocou de joelhos a cidade do Rio de Janeiro; espero que não acontecça mais nada tão grave, e de surpresa. Os oceanógrafos, avisam, chegará hoje a cidade uma ressaca novamente atípica, com previsões de ondas de 5 metros, o que não é normalmente comum na cidade, inclusive espera-se que devido as proporções as ondas alcacem a Baía de Guanabara, o que pode dificultar a navegação entre as cidade do Rio de Janeiro e Niteroi.

Certamente este início do ano de 2010, soa como um aviso, não passamos no teste, as mudanças climáticas parecem que chegaram em definitivo, e provaram sua força na cidade do rio de Janeiro.

Quando será que as autoridades, especialistas e a população, irão se conscientizar do que está ocorrendo, e começar a planejar o futuro? Pois, ele acabou de se refletir neste momento em na tragédia carioca.

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